sábado, 28 de fevereiro de 2009

FILTRO SOLAR


Nunca deixem de usar filtro solar!

Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar.Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solarestão provados e comprovados pela ciência;já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.

Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o podere a beleza da juventude até que tenham se apagado.

Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos eperceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em diaquantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,e como você realmente tava com tudo em cima.

Você não é tão gordo(a) quanto pensa!Não se preocupe com o futuro.Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupaçãoé tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.

As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nuncapassaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatroda tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.Cante.Não seja leviano com o coração dos outros.Não ature gente de coração leviano.Use fio dental.Não perca tempo com inveja.Às vezes se está por cima,às vezes por baixo.A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.Não esqueça os elogios que receber.Esqueça as ofensas.Se conseguir isso, me ensine.

Guarde as antigas cartas de amor.Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.Tome bastante cálcio.Seja cuidadoso com os joelhos.Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.Talvez tenha filhos, talvez não.Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.É assim pra todo mundo.Desfrute de seu corpo.Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.

Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.

Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.Dedique-se a conhecer os seus pais.É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passadoe possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.

Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficase de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.Viaje.Aceite certas verdades inescapáveis:Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.Você, também, vai envelhecer.E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,e as crianças, respeitavam os mais velhos.Respeite os mais velhos.E não espere que ninguém segure a sua barra.

Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.

Talvez case com um bom partido.Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.

Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarentavai aparentar oitenta e cinco.

Cuidado com os conselhos que comprar,mas seja paciente com aqueles que os oferecem.Conselho é uma forma de nostalgia.Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas no filtro solar, acredite!


Pedro Bial

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AMIZADE


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...

Mas, enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...

Mas, se a amizade permanecer,

Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...

Mas, se formos amigos de verdade,

A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...

Mas, se ainda sobrar amizade,

Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...

Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,

Cada vez de forma diferente.

Sendo único e inesquecível cada momento

Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre.

A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.




A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO


Do final do século XIX aos dias atuais, houve um grande avanço tecnológico. Isso ninguém pode contestar.
O homem venceu os espaços e chegou à lua...
Construiu máquinas capazes de vencer as distâncias entre os continentes, entre as nações.Descobriu a cura de enfermidades até então tidas como incuráveis. Conseguiu erradicar da face da Terra doenças que dizimavam vidas.
Embora todo o progresso tecnológico conseguido e apesar da possibilidade de comunicação instantânea, o homem não logrou sequer minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor, a doença e a morte.
Conquanto a humanidade avance a passos largos na conquista de melhores condições de vida, de descobertas científicas, de aperfeiçoamento na produção de alimentos, vestuário, e outras tantas conquistas, não consegue deter a onda de violência que apavora os seres.
Não consegue erradicar o preconceito do coração do homem, a revolta dos povos vencidos, as catástrofes de toda ordem que assolam as nações.
É de nos perguntarmos: por quê?
Por que tanta miséria moral, diante de tantas conquistas intelectuais?
A resposta é simples. Os Benfeitores da humanidade esclarecem em “O Livro dos Espíritos”, que o progresso intelectual engendra o progresso moral, mas que o moral nem sempre o segue imediatamente.
É preciso que os povos se tornem civilizados, e não apenas povos esclarecidos.
Na busca desenfreada por melhores condições de vida, no campo material, o homem esqueceu de voltar sua atenção para ele mesmo, enquanto figura principal dessa engenharia toda.
São importantes as conquistas intelectuais, porque as morais devem vir depois.
Homens intelectualmente desenvolvidos, podem melhor compreender o bem e o mal e optar pelo bem. Basta que uma virtude brote nos corações: a piedade, que é o embrião da caridade. Quando o homem se detiver diante do sofrimento alheio e lutar por solucioná-lo, descobrirá naturalmente o caminho que o conduzirá à felicidade.
Essa é a orientação espírita. Só lograremos a nossa própria felicidade, fomentando a felicidade do próximo.
Se somos todos irmãos, não podemos admitir que sejamos felizes, vendo os demais padecendo fome e frio, sem possibilidades de educação, de crescimento, de um lugar ao sol.
Numa sociedade verdadeiramente civilizada todos terão, pelo menos, o necessário para viver.
E numa sociedade moralizada todos seremos amparados e, solidários, venceremos a solidão, a ansiedade, a dor... Porque vencidas serão as distâncias que separam os seres e os infelicitam.
Você sabia que a inteligência é poderoso instrumento para fomentar o progresso da humanidade? Deus quer que as pessoas inteligentes usem-na para o bem de todos e não para esmagar os mais fracos.
E você sabia que por mais inteligente que seja o homem, seu saber tem limites muito estreitos e restritos ao nosso planeta? Por esse motivo ninguém tem o direito de envaidecer-se de sua inteligência, pois a Terra representa um grão de areia diante do Universo infinito.



Autor desconhecido

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?


Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?

"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.Uma armadilha.Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.



Dr. Drauzio Varela

sábado, 14 de fevereiro de 2009

FOME, SEDE E VONTADE DE LER

Os biólogos, cientistas, cientificistas - enfim, qualquer estudioso do corpo humano - não cansam de afirmar e reafirmar a perfeição do corpo humano. A mais completa máquina já criada. O complexo sistema de células, órgãos, substâncias que sintetizam a perfeição. Pois tratemos de discordar. O corpo necessita de combustíveis. Se precisamos de água, temos sede. De comida, temos fome. Nunca paramos de respirar. Por que nos falta uma necessidade de ler? Alias, não há sequer um nome pra isso. Simplesmente “a necessidade de ler”. Algo como a manutenção da intelectualidade, ou da saúde do cérebro. Ler. Ler como quem mata a sede. Como quem avança sobre um prato de comida. Um copo de água bem gelada e uma Clarice. Uma lasanha e um Machado. Para todos os dias, arroz, feijão e Allan Poe.
A falta de leitura deveria ser retratada em fotografia premiada pela National Geographic. Concorrentes do “Foto do ano de 2004”: O menino faminto da Etiópia, a baleia encalhada da Antártida e o Sem-livro do Brasil. Deveria estar estampado na cara do sujeito: “Sou subletrado”.Não se justifica com a situação do nosso país. Não se trata aqui da falta de incentivo e de educação, já notória e discutida. Mas de atitude.

Os jovens - ah, sempre os jovens – não conseguem, ou não querem, enxergar o benefício da leitura. Qualquer leitura. E os jovens crescem, ou já cresceram, subletrados. Daí a pergunta: E se houvesse uma necessidade física? Penso que ainda há o que mudar na estrutura humana.
Que tal essa dica? Hein! Na falta de uma terminologia melhor, fica a “fome de leitura”, ou a FOMURA.
O menino grita: “Manhêêê, to com uma fomura danada”. E ela vem correndo com a Ruth Rocha que é pro menino parar de reclamar.
O pai, no meio da noite, acorda com o choro do bebê. Dá a mamadeira, troca a fralda e lê o Ziraldo enquanto o neném não consegue sozinho.
O casal de namorados vai sair a noite. Jantar, choppinho ou leitura? O rapaz mais afoito sugeriria um João Ubaldo. O divorciado um Nabokov. O mais esperto um Vinícius (sim, elas ainda adoram). E a combinação vinho, massa e Drummond? Irresistível.
O sonho enfim se concretizaria com o obeso-literato. Aquele que, de madrugada, assalta a estante.

Acha que não faz mal um Parnasianismozinho durante as refeições. Vai ao médico, o letricionista, que lhe passa uma dieta a base de romance. Nada muito pesado. Depois das 20 horas, só Sidney Sheldon. Mas cai em tentação e é flagrado com “Crime e Castigo” nas mãos.
A família se preocupa. Tornou-se um livrólatra. Só o L.A. poderá salvá-lo.
Nas reuniões com o grupo de viciados em literatura, ele conta sua saga: “Bem, comecei aos 10 anos. Como todo mundo. Fadas, chapéus, narizes que cresciam. Depois eu parti pros livros menores. Mas quando você menos espera, já está devorando um Jorge Amado numa sentada só”. Um “ooh” ecoa na sala. Senhoras comentam entre si. “Tão novinho e tão letrado né!”
Bibliotecas lotadas. Um silêncio ensurdecedor. Filas enormes para entrar. É muita gente morrendo de fomura.
Consegue uma mesa, pede o menu.
- Por favor, me vê duas Cecílias. E pro menino pode ser um Lobato, que ele adora!!
- Senhor! Nossas Cecílias acabaram.
- O quê? E o que você sugere?
- Nosso Eça é legítimo, senhor! E temos Camões
- É que os portugueses são caros né! E meu médico me proibiu Camões durante a semana.

- Algum Andrade?
- Não sei. Não sei. To indeciso ainda.
Depois de alguns minutos pensando e testando a paciência do rapaz que lhe servia...
- Ah, vou de Paulo coelho mesmo que é só pra matar a fomura.

Fabiano Cambota

**Fabiano Cambota é líder e vocalista da Banda Pedra Letícia. ,É goiano (mas urbano), inteligente e divertido....
Pra quem quiser conhecer a banda: www.pedraleticia.com.br

A PORTA DO LADO

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).
Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.
Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.
Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.
Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado."
Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!
Dráuzio Varella

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

'HUMANO, DEMASIADO HUMANO'

Porque é que se sobrestima o amor em detrimento da justiça e se diz dele as coisas mais lindas, como se ele fosse uma entidade muito superior àquela? Pois não é ele visivelmente mais estúpido que aquela? Por certo, mas, precisamente por isso, tanto mais agradável para todos. Ele é estúpido e possui uma rica cornucópia; tira desta os seus presentes e distribui-os a qualquer pessoa, mesmo que esta não os mereça e até nem sequer lhe agradeça por isso. É imparcial como a chuva, a qual, segundo a Bíblia e a experiência, não só encharca o injusto até aos ossos, mas também, em determinadas circunstâncias, o justo.


Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

domingo, 8 de fevereiro de 2009

DEFINITIVO

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se espanto


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama


De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

LONGE DO MEU LADO

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mimUma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado
A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longeLonge do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado

O Grande poeta: Renato Russo

Ser jornalista é ser poeta


Mais um fim de tarde, quinta-feira que antecede o feriado de páscoa, e estou voltando do trabalho para casa. O trajeto de Criciúma para Içara às vezes se torna igual e cansativo. Meus olhos parecem expurgar apenas o inevitável e “turva” para o latente que se recicla nos segundos onde passa o cenário. Puro engano.Que alívio. Ao meu lado, no ônibus, conheço um menino falante, de 8 anos, que reside no balneário de Barra Velha. É sua primeira visita a Criciúma. Contou-me, com o encanto e a pureza que ainda move os pequenos, que foi ao médico e descobriu que possui uma lesão irreversível nos olhos e irá ficar cego. Nesse segundo que ficou estático, o meu ser jornalista poeta escreveria uma sensível reportagem com o título: O menino em busca de luz. Delinearia em minhas palavras que sua suposta ausência de visão lhe manifesta mais horizontes do que em muitos de nós, que temos dois olhos, ditos saudáveis. Seu olhar brilhante das chamas que exalam da sua essência infantil, se emociona, ao ver pela primeira vez um parque de diversões. Um sonho de menino. Alcançar o céu na montanha russa antes que as cores se apaguem.
Ser jornalista é ser poeta capaz de prenhar e parir VIDAS.
É criar palavras de amor para quem sabe, lhe dizer que o colorido da beleza está escondido na escuridão. É ter nas mãos e na voz a alquimia para mostrar a muitos meninos, meninas, homens e mulheres, que os raios estão escondidos no crepúsculo. Que nossa cegueira pode ser irreversível mas nossa capacidade de ver é eterna. Ser jornalista é ser poeta. É ver o cotidiano diário com novos olhos.
Quem não consegue ser, é porque sua visão está ofuscando seu coração. Não enxerga que o mesmo jardim amanhece sempre diferente. Com uma outra seiva. Disseminando um novo perfume. Ser poeta jornalista é sabe ouvir o seu próprio silêncio no barulho dos outros. Ser poeta jornalista e se permitir ter olhos de raios-X. Ir além das “imagens” que maquiam as nossas casca e nos transformam em iguais, embora únicos.
Ser poeta jornalista é ir onde pôr-do-sol espreguiça. É colher o dia vendo o que existe no que não aparece. No insípido. No incolor.
Ser jornalista poeta é ousar caminhar nas estradas e também nas trilhas. É captar nos rostos anônimos os grandes heróis. Seres que do seu suor, germinam a terra em cio e o pão nosso de cada dia. Porque para o jornalista poético não existe o SER mais importante. Todos são divinos. Ser poeta jornalista é desenhar nas letras o significado dos personagens que transmutam e compõem o poema da reportagem. Ser jornalista poeta é buscar nas entranhas a força para jorrar a água que mata a sede e brota novas sementes. É exalar esperança no futuro que se faz presente e no presente que é certeza de futuro.
Ser poeta jornalista é acreditar que naqueles olhos cansados pela janela no tempo o infinito pode ser alcançado. Ser jornalista poeta é estar lá. Ainda que o menino teime em correr na terra que já não deixa pegadas.

Maristela Benedet
Colunista Rádio Criciuma
Nada melhor do que dar início a esse blog com o fabuloso Arnaldo Jabor e uma de suas crônicas:

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano.
Isso são só referenciais.Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você amaeste cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer.
É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor