domingo, 31 de maio de 2009

A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO


Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de Jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar.Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundofazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram.

O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demons-traram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de Direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindopouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo - como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalistae duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.A criação posterior de escolas de Jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicaçãoou Comunicação Social.O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumidaconscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invésdo formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e dei-xaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciamo espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.“Nem sequer nos repreendem”, diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no localdos acontecimentos.O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocadade que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos,embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prio-ridade das aptidões e das vo cações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo Jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o Jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamentocrítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalharem alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão.A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários cons-truídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

Na visão de um dos melhores escritores do mundo

GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A BUNDA DURA


Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura!!! Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

a) Escova toda manhã: A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão 'Alisabel', que é legal... Burra.

b) Na moda: Estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando.

c) Sorriso incessante: Ela mora na vila dos Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipático com orgulho, só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa... Coitada.

d) Bunda dura: As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece!

Legal mesmo é mulher de verdade!!! E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa... Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada às vezes, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade.

E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!!!!!

ARNALDO JABOR

domingo, 24 de maio de 2009

CONTRÁRIOS


Só quem já provou a dor

Quem sofreu, se amargurou

Viu a cruz e a vida em tons reais

Quem no certo procurou

Mas no errado se perdeu

precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar

Porque encontrou na derrota o motivo para lutar

E assim viu no outono a primavera

Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso

Que o direito tem avesso

Que o de graça tem seu preço

Que a vida tem contrários

E a saudade é um lugar

Que só chega quem amou

E que o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias

E que esquerdo tem direito

Que a resposta tem pergunta

E o problema solução

E que o amor começa aqui

No contrário que há em mim

E a sombra só existe quando existe alguma luz.

Só quem soube duvidar

Pôde enfim acreditar

Viu sem ver e amou sem aprisionar

Quem no pouco se encontrou

Aprendeu multiplicar

Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar

Porque aprendeu que o amor só é amor

Se já provou alguma dor

E assim viu grandeza na miséria

Descobriu que é no limite

Que o amor pode nascer


Não sei que é o autor certo, mas consta com uma música do Padre Fábio de Melo, muito bonita por sinal!!

sábado, 2 de maio de 2009


Tenho amigos que não sabem oquanto são meus amigos.Não percebem o amor que lhes devoto e a absolutanecessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,eis que permite que o objeto delase divida em outros afetos,enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,embora não sem dor,que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceriase morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebemo quanto são meus amigos e o quantominha vida depende de suas existências ….

A alguns deles não procuro, basta-mesaber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguirem frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.Eles não iriam acreditar.Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.E às vezes, quando os procuro,noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer,eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam,eu rezo pela vida deles.

E me envergonho,porque essa minha prece é,em síntese, dirigida ao meu bem estar.Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer …

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo,falando comigo, vivendo comigo,todos os meus amigos, e,principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 29 de abril de 2009

QUE JORNALISMO QUEREMOS?


Caros amigos,
Desde que enviei o cartaz da Campanha em Defesa do Jornalismo para meus colegas, recebi muitas respostas. Cada qual com sua posição. Respeito todos os posicionamentos. Respondo a todos agora, pois durante a semana quase não tenho tempo para divagar na própria liberdade de expressão (esse é um dos motivos pelo qual ainda não criei meu blog). Sou a favor do diploma, sim. Conheço jornalistas que são excelentes profissionais, possuem uma base humanística por natureza e isso me inspira e serve de exemplo, como meu amigo Lucky (que por sinal é contra o diploma…). Acontece que conheço muito mais profissionais sem diploma e sem caráter. “Jornalistas” que colocam o interesse acima da ética. Acontece que pessoas assim estão contaminando o mercado, pois contribuem para criar um estereótipo da nossa profissão, que hoje, é mau vista por advogados, economistas, políticos, ministros do STF… e outros.
Temos que parar de pintar o passado de rosa, como o poeta Mario Quintana escreveu. Reconheço que nossos dinossauros do jornalismo desempenharam um brilhante papel na história da democracia brasileira, lutando contra a ditadura, mas logo em sequência no período de redemocratização brasileiro, fomos obrigados a engolir uma edição de um debate de eleição presidencial. Antes disso, pudemos ver como uma campanha como a da Diretas Já foi ignorada por alguns meios de comunicação. Isso é o jornalismo que queremos? Só sei que esse não é o jornalismo que EU quero.
Casos como o da menina Eloá e Isabela Nardoni, para mim, mostram como é perigoso a falta de um chefe de reportagem e donos de jornais com base humanística. É de entristecer, olhar na universidade centenas de jovens que estão ali apenas para desfilar ou para chegar antes da chamada e sair logo após a última lista de presença. Nossa geração vai se formar sem desfrutar do clima acadêmico quase socrático, com base nas esferas públicas da comunicação e discussão filosófica. E isso vai se refletir no mercado profissional. Se você não quer vivenciar a universidade e está cursando a faculdade apenas pelo diploma, eu lhes digo: Desista! Não jogue fora seu dinheiro por quatro anos. Se você apenas quer o diploma, então compre-o! A formação acadêmica, hoje, se faz necessária, pois nós jovens estamos em uma sociedade que está perdendo a democracia. Antes se perdiam a vida em prol do jornalismo social. Hoje, a mentalidade é ganhar a vida com o “jornalismo social”. Se você quer o carro do ano, uma mansão, a roupa da moda, gastar na balada, então, lamento informar que jornalismo não é a sua profissão.
A falta de um diploma para mim é um perigo para a sociedade, pois cada vez mais seremos bombardeados por uma minoria que quer estabelecer um padrão massificado de beleza e de vida. Cada vez mais teremos na nossa profissão modelos e atrizes apresentadoras, que não possuem a perspicácia inerente ao bom jornalista. Tudo bem que muito se aprende indo para a rua, mas garanto que quando terminei o segundo grau tinha um sonho de ter um jornal pra mim, se o tivesse feito isso sem ao menos ir para o campo acadêmico, garanto que hoje não seria o ser humano que sou hoje. Muito provavelmente teria aprendido muito com as pancadas da vida e com certeza teria o meu jornal e um venenoso caráter.
Vejo que querem avacalhar nossa profissão. Mas qual é o motivo para isso? Será que querem nos marginalizar? Nos jogar à margem da sociedade acadêmica para ficar mais fácil dar descrédito ao que queremos alertar à sociedade? Para ficar mais fácil nos crucificar?
Como o jornalista Fernando Braga disse: “Tem muita gente (POLÍTICOS, JUIZES, EMPRESÁRIOS, ETC) querendo sentar na cadeira do Bonner…”
Beijos meus amigos!


Por Diane Lourenço

sábado, 18 de abril de 2009

A CONSTRUÇÃO DO SUCESSO


O pensamento do sucesso começa com idéias, sonhos, atitudes, educação e planejamento. Tem muita gente que defende a idéia de que para alcançar o sucesso profissional basta querer e querer intensamente. É isso, provavelmente, a primeira atitude de um vencedor. Mas de nada vai adiantar desejar, se os planos não saírem do papel.

Grandes idéias nascem e morrem todos os dias por falta de um plano de ação que dê sustentação à idéia. São as atitudes que escrevem a nossa história, e não nossas expectativas. Muitos dos que fazem sucesso afirmam todos os dias que não ficam esperando o sucesso bater às suas portas. Gosto sempre da afirmação do Abílio Diniz: "Enquanto alguns sonham com o sucesso, nós acordamos cedo para fazê-lo". Ninguém chega onde quer chegar profissionalmente por um golpe de sorte. Foi-se o tempo que um currículo recheado de excelentes universidades e MBAs eram certeza de boa colocação profissional. Não faltam exemplos hoje de pessoas com cursos, digamos aqui, apenas razoáveis, que conseguiram encontrar o caminho do sucesso até com mais solidez do que outros que vieram de grandes escolas.

Não há crítica aqui ao conhecimento ou a qualidade real das grandes escolas, mas sim a atitude do ser humano ou a falta dela, a diferença está nas decisões e na postura que a pessoa toma em sua vida. A maior carência no mundo profissional não é de conhecimento e sim de atitude. As pessoas sabem o que tem que fazer, mas não fazem. Também existem outros ingredientes para se atingir o topo.

Segundo Eugênio Mussak, as pessoas costumam encarar a vida profissional separada da vida pessoal, como se isso fosse possível! Essa é uma visão de curto alcance porque não se pode desenvolver alguém pela metade. Ele ainda fecha essa posição com três pontos estratégicos:

1. Onde se está.

2. Onde se quer chegar e

3. O que se está fazendo para chegar lá.

O ser humano é o animal mais frágil do planeta. Ele só consegue ter força quando se une aos seus pares. Essa é uma visão filosófica, mas também muito utilitária. Mas é preciso sair do discurso para a ação. Não basta apenas trocar cartões. É necessário cultivar amizades e estabelecer vínculos. Não basta rezar... É preciso ir ao encontro de Deus! E quando você estiver no topo, lembre-se das palavras do dramaturgo americano Wilson Mizner: "Seja simpático com as pessoas à medida que você for subindo, porque você encontrará com elas à medida que você descer". Ou seja, humildade não faz mal a ninguém!

Pense nisso, Um abraço e esteja com Deus!


MARCOS SOUSA

sábado, 4 de abril de 2009

REVOLUÇÃO DA ALMA


Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida. Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque o objetivo longe demais de suas mãos: abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre. Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo que está "pronto“ para ser feliz. Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda. Critique menos, trabalhe mais. E não se esqueça nunca de agradecer. Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento (...) Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida. A grandeza (da vida)não consiste em receber honras, mas em merecê-las.



Aristóteles

sexta-feira, 3 de abril de 2009



**Para visualisar a letra da música clique na imagem!!

** Mais uma colaboração do Márcio!!!
Continue assim garoto!!!
Parabéns!!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009


No dia 31 de Março ocorreu, na Praça da Impressa em Fortaleza, um manifesto em defesa do diploma do curso de jornalismo, no dia seguinte, seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal um recurso extraordinário que eliminaria a obrigatoriedade do diploma do curso de Jornalismo para exercer a profissão, desregulamentando a mesma. Estavam a frente do movimento, o sindicato dos jornalistas do Ceará, Sindjorce, o sindicato dos gráficos e estudantes do curso de diversas instituições de ensino superior.
Atos como esse são de extrema importância para a sociedade, caracteriza a luta pela democracia, a busca pelos direitos dos homens e a possibilidade de engrandecer o meio em que vivemos, mostrando que somos capazes de fazer valer a lei que defende cada um de nós.
Se analisarmos o conteúdo exibido em nossos veículos de comunicação, veremos a necessidade de profissionais capacitados, com embasamento teórico e prático, capazes de transmitir ao público, com toda a fidelidade, o que é real. A mídia é uma arma poderosa e não pode ser tratada de forma irresponsável.
Os prejuízos, caso a lei seja aprovada, não atingirá apenas os profissionais da área e universidades, mas também a população que deixará de ter as informações transmitidas de forma correta, abrangente e verossímil utilizando ética e técnicas aprendidas no decorrer do curso superior.
O jornalista é, acima de tudo, um formador de opinião, que utiliza a imprensa como meio de informar, deixar a sociedade apta para tomar decisões, repensar atitudes e conhecedora do que acontece a sua volta, não se pode delegar tarefas de tamanha responsabilidades a quem não tem preparo para arcar com suas consequências.
Pensando nisso, podemos concluir que jornalista, só com diploma!



Louany Cunha

quarta-feira, 25 de março de 2009

MEU AMOR


Tu és linda e te quero
Teu sorriso encantador é
Meu amor, pra você entrego
Alma, corpo e coração

Estar sem ti, e não perceber você
Buscar e achar e receber
o teu grande amor por mim

O meu amor, entrego a você
Pois só a ti eu me entreguei
Meu coração, pra sempre é teu
Pois com carinho entrego a você

Quero ser como um amor profundo
Que está pronto a sempre te amar
Cuidando assim desse amor... (desse amor)



Márcio Mártins


**Aluno do Curso de publicidade e propaganda das Faculdades Cearenses, mostrou também ter talento para a composição de músicas.

Parabéns Márcio e espero poder postar mais coisas suas aqui e obrigado por colaborar e enriquecer o blog!!

domingo, 22 de março de 2009

É...A VIDA É ASSIM


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.

Como tudo na vida..Em verdade, detesto quando escuto aquela conversa:'Ah, terminei o namoro...''Nossa, quanto tempo?''Cinco anos... Mas não deu certo.... acabou'Não deu?!?!?!?!

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.E o bom da vida é que você pode ter vários amores.Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.

Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?E não temos esta coisa completa.

Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro.Quando você tem pele com alguém, pode ser o 'papai-mamãe' mais básico que é uma delícia.E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante (se é!!)...e se o beijo bate, se joga!!! Se não bate... mais um Martini, por favor...e vai dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê piti. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.E depois, que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice-versa.
Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.

De fato, quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.Faz parte.

Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...

A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Fique atento.


Arnaldo Jabor

domingo, 8 de março de 2009

A ALMA DA MULHER


Nada mais contraditório do que ser mulher...

Mulher que pensa com o coração, age pela emoção e vence pelo amor.

Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma delas num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive arrumando desculpas para os erros,daqueles a quem ama.

Que hospeda no ventre outras almas, dá à luze depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gera.

Que dá as asas, ensina a voar, mas que não quer ver partiros pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.

Que se enfeita toda e perfuma o leito, aindaque seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como numa mágica transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma,só pra ninguém notar.

E ainda tem que ser forte para dar os ombros pra quem neles precise chorar.

Feliz do homem que por um dia souber,entender a Alma da Mulher!!!


Lucinete Vieira


**Homenagem do ESCREVER COM ARTE a todas as mulheres que merecem ser celebradas todos os 365 dias do ano!

sexta-feira, 6 de março de 2009

FELICIDADE CLANDESTINA


Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía "As reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberto, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns intantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Pareceu que eu já pressentia. como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.



Clarice Lispector

quinta-feira, 5 de março de 2009


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre de vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?Guardo todas, um dia vou construir um castelo…



Fernando Pessoa

terça-feira, 3 de março de 2009

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.




Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 2 de março de 2009


A maior solidão é a do ser que não ama.

A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.

Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno.

Ele é a angústia do mundo que o reflete.

Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.



Vinícius de Moraes

sábado, 28 de fevereiro de 2009

FILTRO SOLAR


Nunca deixem de usar filtro solar!

Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar.Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solarestão provados e comprovados pela ciência;já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.

Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o podere a beleza da juventude até que tenham se apagado.

Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos eperceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em diaquantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,e como você realmente tava com tudo em cima.

Você não é tão gordo(a) quanto pensa!Não se preocupe com o futuro.Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupaçãoé tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.

As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nuncapassaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatroda tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.Cante.Não seja leviano com o coração dos outros.Não ature gente de coração leviano.Use fio dental.Não perca tempo com inveja.Às vezes se está por cima,às vezes por baixo.A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.Não esqueça os elogios que receber.Esqueça as ofensas.Se conseguir isso, me ensine.

Guarde as antigas cartas de amor.Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.Tome bastante cálcio.Seja cuidadoso com os joelhos.Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.Talvez tenha filhos, talvez não.Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.

Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.É assim pra todo mundo.Desfrute de seu corpo.Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.

Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.

Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.Dedique-se a conhecer os seus pais.É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passadoe possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.

Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficase de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.Viaje.Aceite certas verdades inescapáveis:Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.Você, também, vai envelhecer.E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,e as crianças, respeitavam os mais velhos.Respeite os mais velhos.E não espere que ninguém segure a sua barra.

Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.

Talvez case com um bom partido.Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.

Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarentavai aparentar oitenta e cinco.

Cuidado com os conselhos que comprar,mas seja paciente com aqueles que os oferecem.Conselho é uma forma de nostalgia.Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas no filtro solar, acredite!


Pedro Bial

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AMIZADE


Pode ser que um dia deixemos de nos falar...

Mas, enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...

Mas, se a amizade permanecer,

Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...

Mas, se formos amigos de verdade,

A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...

Mas, se ainda sobrar amizade,

Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...

Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,

Cada vez de forma diferente.

Sendo único e inesquecível cada momento

Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre.

A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.




A CIVILIZAÇÃO DO FUTURO


Do final do século XIX aos dias atuais, houve um grande avanço tecnológico. Isso ninguém pode contestar.
O homem venceu os espaços e chegou à lua...
Construiu máquinas capazes de vencer as distâncias entre os continentes, entre as nações.Descobriu a cura de enfermidades até então tidas como incuráveis. Conseguiu erradicar da face da Terra doenças que dizimavam vidas.
Embora todo o progresso tecnológico conseguido e apesar da possibilidade de comunicação instantânea, o homem não logrou sequer minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor, a doença e a morte.
Conquanto a humanidade avance a passos largos na conquista de melhores condições de vida, de descobertas científicas, de aperfeiçoamento na produção de alimentos, vestuário, e outras tantas conquistas, não consegue deter a onda de violência que apavora os seres.
Não consegue erradicar o preconceito do coração do homem, a revolta dos povos vencidos, as catástrofes de toda ordem que assolam as nações.
É de nos perguntarmos: por quê?
Por que tanta miséria moral, diante de tantas conquistas intelectuais?
A resposta é simples. Os Benfeitores da humanidade esclarecem em “O Livro dos Espíritos”, que o progresso intelectual engendra o progresso moral, mas que o moral nem sempre o segue imediatamente.
É preciso que os povos se tornem civilizados, e não apenas povos esclarecidos.
Na busca desenfreada por melhores condições de vida, no campo material, o homem esqueceu de voltar sua atenção para ele mesmo, enquanto figura principal dessa engenharia toda.
São importantes as conquistas intelectuais, porque as morais devem vir depois.
Homens intelectualmente desenvolvidos, podem melhor compreender o bem e o mal e optar pelo bem. Basta que uma virtude brote nos corações: a piedade, que é o embrião da caridade. Quando o homem se detiver diante do sofrimento alheio e lutar por solucioná-lo, descobrirá naturalmente o caminho que o conduzirá à felicidade.
Essa é a orientação espírita. Só lograremos a nossa própria felicidade, fomentando a felicidade do próximo.
Se somos todos irmãos, não podemos admitir que sejamos felizes, vendo os demais padecendo fome e frio, sem possibilidades de educação, de crescimento, de um lugar ao sol.
Numa sociedade verdadeiramente civilizada todos terão, pelo menos, o necessário para viver.
E numa sociedade moralizada todos seremos amparados e, solidários, venceremos a solidão, a ansiedade, a dor... Porque vencidas serão as distâncias que separam os seres e os infelicitam.
Você sabia que a inteligência é poderoso instrumento para fomentar o progresso da humanidade? Deus quer que as pessoas inteligentes usem-na para o bem de todos e não para esmagar os mais fracos.
E você sabia que por mais inteligente que seja o homem, seu saber tem limites muito estreitos e restritos ao nosso planeta? Por esse motivo ninguém tem o direito de envaidecer-se de sua inteligência, pois a Terra representa um grão de areia diante do Universo infinito.



Autor desconhecido

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PARA QUE SERVE UMA RELAÇÃO?


Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?

"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.Uma armadilha.Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.



Dr. Drauzio Varela

sábado, 14 de fevereiro de 2009

FOME, SEDE E VONTADE DE LER

Os biólogos, cientistas, cientificistas - enfim, qualquer estudioso do corpo humano - não cansam de afirmar e reafirmar a perfeição do corpo humano. A mais completa máquina já criada. O complexo sistema de células, órgãos, substâncias que sintetizam a perfeição. Pois tratemos de discordar. O corpo necessita de combustíveis. Se precisamos de água, temos sede. De comida, temos fome. Nunca paramos de respirar. Por que nos falta uma necessidade de ler? Alias, não há sequer um nome pra isso. Simplesmente “a necessidade de ler”. Algo como a manutenção da intelectualidade, ou da saúde do cérebro. Ler. Ler como quem mata a sede. Como quem avança sobre um prato de comida. Um copo de água bem gelada e uma Clarice. Uma lasanha e um Machado. Para todos os dias, arroz, feijão e Allan Poe.
A falta de leitura deveria ser retratada em fotografia premiada pela National Geographic. Concorrentes do “Foto do ano de 2004”: O menino faminto da Etiópia, a baleia encalhada da Antártida e o Sem-livro do Brasil. Deveria estar estampado na cara do sujeito: “Sou subletrado”.Não se justifica com a situação do nosso país. Não se trata aqui da falta de incentivo e de educação, já notória e discutida. Mas de atitude.

Os jovens - ah, sempre os jovens – não conseguem, ou não querem, enxergar o benefício da leitura. Qualquer leitura. E os jovens crescem, ou já cresceram, subletrados. Daí a pergunta: E se houvesse uma necessidade física? Penso que ainda há o que mudar na estrutura humana.
Que tal essa dica? Hein! Na falta de uma terminologia melhor, fica a “fome de leitura”, ou a FOMURA.
O menino grita: “Manhêêê, to com uma fomura danada”. E ela vem correndo com a Ruth Rocha que é pro menino parar de reclamar.
O pai, no meio da noite, acorda com o choro do bebê. Dá a mamadeira, troca a fralda e lê o Ziraldo enquanto o neném não consegue sozinho.
O casal de namorados vai sair a noite. Jantar, choppinho ou leitura? O rapaz mais afoito sugeriria um João Ubaldo. O divorciado um Nabokov. O mais esperto um Vinícius (sim, elas ainda adoram). E a combinação vinho, massa e Drummond? Irresistível.
O sonho enfim se concretizaria com o obeso-literato. Aquele que, de madrugada, assalta a estante.

Acha que não faz mal um Parnasianismozinho durante as refeições. Vai ao médico, o letricionista, que lhe passa uma dieta a base de romance. Nada muito pesado. Depois das 20 horas, só Sidney Sheldon. Mas cai em tentação e é flagrado com “Crime e Castigo” nas mãos.
A família se preocupa. Tornou-se um livrólatra. Só o L.A. poderá salvá-lo.
Nas reuniões com o grupo de viciados em literatura, ele conta sua saga: “Bem, comecei aos 10 anos. Como todo mundo. Fadas, chapéus, narizes que cresciam. Depois eu parti pros livros menores. Mas quando você menos espera, já está devorando um Jorge Amado numa sentada só”. Um “ooh” ecoa na sala. Senhoras comentam entre si. “Tão novinho e tão letrado né!”
Bibliotecas lotadas. Um silêncio ensurdecedor. Filas enormes para entrar. É muita gente morrendo de fomura.
Consegue uma mesa, pede o menu.
- Por favor, me vê duas Cecílias. E pro menino pode ser um Lobato, que ele adora!!
- Senhor! Nossas Cecílias acabaram.
- O quê? E o que você sugere?
- Nosso Eça é legítimo, senhor! E temos Camões
- É que os portugueses são caros né! E meu médico me proibiu Camões durante a semana.

- Algum Andrade?
- Não sei. Não sei. To indeciso ainda.
Depois de alguns minutos pensando e testando a paciência do rapaz que lhe servia...
- Ah, vou de Paulo coelho mesmo que é só pra matar a fomura.

Fabiano Cambota

**Fabiano Cambota é líder e vocalista da Banda Pedra Letícia. ,É goiano (mas urbano), inteligente e divertido....
Pra quem quiser conhecer a banda: www.pedraleticia.com.br

A PORTA DO LADO

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).
Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.
Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.
Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.
Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado."
Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!
Dráuzio Varella

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

'HUMANO, DEMASIADO HUMANO'

Porque é que se sobrestima o amor em detrimento da justiça e se diz dele as coisas mais lindas, como se ele fosse uma entidade muito superior àquela? Pois não é ele visivelmente mais estúpido que aquela? Por certo, mas, precisamente por isso, tanto mais agradável para todos. Ele é estúpido e possui uma rica cornucópia; tira desta os seus presentes e distribui-os a qualquer pessoa, mesmo que esta não os mereça e até nem sequer lhe agradeça por isso. É imparcial como a chuva, a qual, segundo a Bíblia e a experiência, não só encharca o injusto até aos ossos, mas também, em determinadas circunstâncias, o justo.


Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

domingo, 8 de fevereiro de 2009

DEFINITIVO

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional...

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se espanto


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama


De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

LONGE DO MEU LADO

Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mimUma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado
A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longeLonge do meu lado
Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado

O Grande poeta: Renato Russo

Ser jornalista é ser poeta


Mais um fim de tarde, quinta-feira que antecede o feriado de páscoa, e estou voltando do trabalho para casa. O trajeto de Criciúma para Içara às vezes se torna igual e cansativo. Meus olhos parecem expurgar apenas o inevitável e “turva” para o latente que se recicla nos segundos onde passa o cenário. Puro engano.Que alívio. Ao meu lado, no ônibus, conheço um menino falante, de 8 anos, que reside no balneário de Barra Velha. É sua primeira visita a Criciúma. Contou-me, com o encanto e a pureza que ainda move os pequenos, que foi ao médico e descobriu que possui uma lesão irreversível nos olhos e irá ficar cego. Nesse segundo que ficou estático, o meu ser jornalista poeta escreveria uma sensível reportagem com o título: O menino em busca de luz. Delinearia em minhas palavras que sua suposta ausência de visão lhe manifesta mais horizontes do que em muitos de nós, que temos dois olhos, ditos saudáveis. Seu olhar brilhante das chamas que exalam da sua essência infantil, se emociona, ao ver pela primeira vez um parque de diversões. Um sonho de menino. Alcançar o céu na montanha russa antes que as cores se apaguem.
Ser jornalista é ser poeta capaz de prenhar e parir VIDAS.
É criar palavras de amor para quem sabe, lhe dizer que o colorido da beleza está escondido na escuridão. É ter nas mãos e na voz a alquimia para mostrar a muitos meninos, meninas, homens e mulheres, que os raios estão escondidos no crepúsculo. Que nossa cegueira pode ser irreversível mas nossa capacidade de ver é eterna. Ser jornalista é ser poeta. É ver o cotidiano diário com novos olhos.
Quem não consegue ser, é porque sua visão está ofuscando seu coração. Não enxerga que o mesmo jardim amanhece sempre diferente. Com uma outra seiva. Disseminando um novo perfume. Ser poeta jornalista é sabe ouvir o seu próprio silêncio no barulho dos outros. Ser poeta jornalista e se permitir ter olhos de raios-X. Ir além das “imagens” que maquiam as nossas casca e nos transformam em iguais, embora únicos.
Ser poeta jornalista é ir onde pôr-do-sol espreguiça. É colher o dia vendo o que existe no que não aparece. No insípido. No incolor.
Ser jornalista poeta é ousar caminhar nas estradas e também nas trilhas. É captar nos rostos anônimos os grandes heróis. Seres que do seu suor, germinam a terra em cio e o pão nosso de cada dia. Porque para o jornalista poético não existe o SER mais importante. Todos são divinos. Ser poeta jornalista é desenhar nas letras o significado dos personagens que transmutam e compõem o poema da reportagem. Ser jornalista poeta é buscar nas entranhas a força para jorrar a água que mata a sede e brota novas sementes. É exalar esperança no futuro que se faz presente e no presente que é certeza de futuro.
Ser poeta jornalista é acreditar que naqueles olhos cansados pela janela no tempo o infinito pode ser alcançado. Ser jornalista poeta é estar lá. Ainda que o menino teime em correr na terra que já não deixa pegadas.

Maristela Benedet
Colunista Rádio Criciuma
Nada melhor do que dar início a esse blog com o fabuloso Arnaldo Jabor e uma de suas crônicas:

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano.
Isso são só referenciais.Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você amaeste cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer.
É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor